Dor nas costas
Dor nas costas repentina: o quanto dói mostra o quão grave é?
Grégoire, fisioterapeuta do canal francês Major Mouvement, explica porque é que a intensidade de uma crise repentina nas costas diz pouco sobre a sua gravidade, e o que fazer primeiro.
Leitura rápida1h Protocols · 25 de outubro de 2026 · 3 min de leitura
Num vídeo de 2021 no canal francês de YouTube Major Mouvement, Grégoire, que trabalha em fisioterapia, dá aulas de terapia manual e usa só este nome no canal, fala das costas que bloqueiam de repente, "le dos bloqué", a que os francófonos chamam muitas vezes lumbago. Um músculo que se contrai, diz Grégoire, pode doer imenso. Grégoire escreveu um livro e dá cursos de terapia manual para profissionais de saúde, ambos promovidos por baixo do vídeo. Depois vem aquilo a que Grégoire chama a boa notícia. Nesse vídeo:
"l'intensité de la douleur ne révèle en rien la gravité potentielle de la lésion"
(Tradução nossa: "a intensidade da dor não revela nada sobre a gravidade potencial da lesão")
Grégoire, Major Mouvement, 2021
O que funciona melhor nesse momento, continua Grégoire, é mexer-se.
Dor forte não é lesão
Quando as costas falham, é natural ler o volume da dor como uma medida do dano. Quanto mais dói, pior deve ser. O ponto de Grégoire é que, neste tipo de crise repentina, as duas coisas não andam juntas. A dor pode ser forte e o que está por trás dela ser banal.
As recomendações públicas no Reino Unido dizem-no com clareza: a coluna é forte, e os problemas de costas raramente se devem a uma doença ou lesão grave (NHS inform, 2026). Investigadores que pediram a pessoas com dor nas costas e a profissionais de saúde que definissem uma crise descreveram-na como um agravamento que dura de horas a semanas, é difícil de tolerar e atrapalha o dia (Costa et al, 2019). Depois passa.
A evolução a mais longo prazo também é animadora, em média. Numa revisão de 2024 de estudos que acompanharam pessoas com dor lombar recente, a dor média desceu de 56 para 26 em 100 ao fim de seis semanas (evidência de certeza moderada). Nas pessoas cuja dor já durava há meses, aliviou muito mais devagar (Wallwork et al, 2024). São médias, não uma promessa para umas costas em particular.
Onde "nada" vai longe demais
"En rien", nada de nada, é forte. Logo a seguir à citação, Grégoire diz que é totalmente benigno. Este artigo não vai tão longe, nem o programa a que pertence: o quanto dói diz pouco sobre o quão grave é, mas alguns sinais mudam o quadro. É por isso que são verificados primeiro.
A maioria das crises passa, mas alguns sinais querem dizer mais. Se algum aparecer, procura ajuda:
Procura ajuda médica imediatamente
- Dificuldade em urinar, ou perdas de urina ou fezes sem querer
- Dormência à volta dos genitais ou do rabo, ou sensações diferentes no sexo
- As duas pernas fracas, dormentes ou com formigueiro, ou não consegues andar por causa da dor
- Dor depois de uma queda grave, de um acidente ou de uma pancada
- Dor no peito ou dificuldade em respirar ao mesmo tempo; ou uma dor nova muito pior do que antes, ou a piorar depressa
Consulta primeiro um médico
- Febre, ou sentires-te quente, com arrepios ou mal
- Cancro no passado, ou perda de peso sem tentares
- Dor pior à noite ou que não muda com o movimento nem com o repouso; dor alta entre as omoplatas; uma perna fraca ou dormente
Se uma crise nova não estiver a melhorar ao fim de algumas semanas, continuar a piorar ou te preocupar, consulta um médico.
O resto do vídeo de Grégoire é uma rotina de cinco movimentos. Este programa não te pede que a faças.
Como isto encaixa no programa Gerir a Dor nas Costas
No 1h Protocol para Gerir a Dor nas Costas, o capítulo 4, "Quando as costas falham", planeia as primeiras horas de uma crise, um dia mais pequeno que ainda consegues manter e uma frase nas tuas palavras. O teu cartão para as crises, guardado no ecrã de bloqueio, abre com a mesma ideia: "Dor forte não é lesão. Uma crise passa." Também te remete para os sinais de alerta. O primeiro capítulo é grátis.
Fonte: Major Mouvement, LUMBAGO : Comment soulager un mal de dos aigüe ? (Quick fix #1), 22 de setembro de 2021 Investigação: NHS inform, 2026 · Costa et al, 2019 · Wallwork et al, 2024