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Podes confiar na pontuação do teu monitor de sono?

O psicólogo do sono Philip Gehrman explica porque é que os monitores de sono apenas estimam o sono e porque são menos rigorosos nas tuas piores noites.

Leitura rápida1h Protocols · 18 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

No Speaking of Psychology, o podcast da American Psychological Association (episódio 387, 2026), a apresentadora Kim Mills contou ao psicólogo Philip Gehrman que o anel dela às vezes classifica uma noite como má quando ela acorda a sentir-se bem. Estaria só a deixar as pessoas ansiosas? Gehrman, que dirige um laboratório de investigação do sono na University of Pennsylvania, respondeu que, para algumas pessoas, sim, e nessa conversa explicou porque é que a pontuação merece menos confiança do que a que recebe.

Por isso, quanto pior dormes, provavelmente menos rigorosos são estes dispositivos.

Philip Gehrman, Speaking of Psychology, 2026

O que um monitor mede

Os wearables de consumo não medem o sono diretamente, explicou Gehrman. Medem coisas como o movimento, a frequência cardíaca e a temperatura da pele, e usam-nas para estimar quando estiveste a dormir. A única medida direta é a atividade cerebral, que é o que os laboratórios do sono registam com elétrodos na cabeça.

Os dispositivos de investigação que ele usa desde os anos 90 publicam os seus estudos de validação e os seus métodos. A maioria das empresas de consumo não o faz, e estão sempre a mudar os algoritmos, por isso ninguém de fora sabe exatamente quão rigoroso é um dado dispositivo. O que parece verdade é que, tal como os dispositivos de investigação, funcionam melhor em quem dorme bem. Alguém deitado quieto e acordado na cama parece-se muito com alguém a dormir, por isso, numa noite má, um monitor tende a contar a vigília como sono.

O que o frustra é a manhã seguinte. Os clientes dizem-lhe que achavam que tinham dormido bem, mas o dispositivo disse que não, por isso concluem que não dormiram. Um colega cunhou uma palavra, ortossonia, para as pessoas cujo sono piora porque ficam obcecadas com os dados do monitor. O conselho dele é encarar os números com reservas.

Uma melhor verificação de manhã

O NHS propõe um teste que não precisa de dispositivo. Podes estar a dormir o suficiente se acordas a sentir-te descansado, tens energia suficiente para o dia e consegues concentrar-te nas tarefas do dia a dia. Gehrman faz uma observação relacionada no mesmo episódio: as pessoas focam-se nas horas, mas a qualidade também conta, e o quão descansado te sentes durante o dia é uma grande parte dela.

Um monitor pode continuar a ser útil para reparar em padrões, como uma hora de deitar que vai escorregando para mais tarde. Só não deixes que um número decida como vai ser o teu dia. E se dormes mal há semanas e isso se está a transformar em meses, o conselho de Gehrman é falares com alguém sobre isso em vez de esperares anos, como fizeram muitos dos clientes dele.

Como isto se encaixa no programa Dormir Melhor

No 1h Protocol para Dormir Melhor, as pessoas cujas respostas apontam para o padrão The Wired, em que a mente se liga quando apagas a luz, começam por aliviar o esforço. Na parte do programa escrita para esse padrão, escolhes até dois hábitos bem-intencionados para aliviar durante catorze noites, e ver o monitor logo de manhã é um deles: dá-lhe descanso, ou olha no máximo uma vez por semana, porque uma pontuação de manhã pode marcar o humor do dia inteiro e é só uma estimativa. Depois, a tua folha de catorze noites pede-te que avalies antes os teus dias. O primeiro capítulo é grátis: descobre o teu padrão de sono.

Fonte: Speaking of Psychology, Episode 387: Rethinking sleep and mental health, com Philip Gehrman, julho de 2026 Investigação: NHS Every Mind Matters, Sleep problems

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